domingo, 18 de janeiro de 2015

Tranque-te, sésamo

Acabei de entrar em um quarto escuro. Me trancaram ou eu tranquei a porta mas não tenho mais a chave. Que porra estou fazendo aqui? Bato na porta com força pra ver se alguém me escuta. Grito alto fogo, ladrão, SOS e nada. Agora é tarde demais, responde alguma coisa na minha cabeça. Olho de fianco pra trás e só vejo um grande bloco negro. Tremo com a possibilidade de ver coisas assustadoras (sempre fui sensível a filmes de terror e mesmo assim gostava) ou da escuridão me engolir. Não quero lidar com isso, alguém pode abrir a porta logo?

Com as minhas mãos e garganta cansadas, me rendo. Paro de bater porque sinto que vai ser em vão. Não tenho coragem de olhar pra frente então me agacho e olho pra baixo. Sinto frio, me encolho. Finjo não estar ali. Fico mergulhada na fixação de não querer viver aquela realidade e sofro. Muitas lágrimas saem de mim involuntariamente. Olho pro preto e sinto algo que me parece claustrofobia.

A resistência e o desejo de estar ali é exatamente o que me mantêm parada. É pura física. Duas forças iguais, uma contra a outra resultam na imobilidade. Não é possível me mexer e na real, eu nem quero me mover. Me tirem já daqui! É uma ordem! Não tenho nada para me distrair. Sem movimento, sem ninguém, sem anestesias, sem distrações, sem nadica. Choro muito. Litros. Como se não houvesse amanhã e o hoje. Choro sem saber porque algo dentro de mim grita e me toma espaço.


Depois de molhar os cabelos compridos e acabar com a água do meu corpo, começo a ficar com sede. Sair dali se torna fisiológico. É questão de morte e vida. Paralisada, amedrontada me forço a caminhar pra frente. “Pense no melhor que pode acontecer, não no pior.” Me animo, vejo esperança e criatividade no meio da preguiça e da escuridão. Percebo que o esforço para me manter parada é o mesmo de me manter em movimento. A diferença que notei é que só a movimentação traz resultados. Vai, encara, você é forte, se joga. Um mantra velho para ocasiões difíceis. E vou. Tropeço, me engano, me saboto, tenho vontade de voltar... até a hora que percebo um bolso na minha calça e dentro do bolso, um isqueiro. Acendo e a escuridão fica menor. Respiro mais lentamente, tiro fora a ansiedade do preto total. Reconheço meus pés, minhas mangas arregaçadas e meu suor. Tropeço em uma lanterna. Será sorte, milagre ou recompensa? Ah que se dane, você tem uma lanterna! Sorrio. Com a luz nas mãos, vejo o quanto sou eu que guio o meu caminho. Quero mais luz então encontro um abajur e ascendo.


A porta da minha consciência - São Paulo Setembro/2012 © Luiza Della Nina

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Gente querida

Venho aqui ser honesta, sem máscaras e palavras bonitas. Só vou dizer o que penso. Antes me preocupava muito com vocês. O que podem falar sobre mim ou pensar de mim. Criei uma doideira na cabeça que se os gregos e os troianos me quererem bem é o (único) modo de me sentir amada e poderosa. Tanto que, diante das briguinhas na escola, eu sempre reparava em quem não me queria bem e não em quem estava do meu lado. Por trás da tentativa de ser visível e querida, estava o meu ego inflado, porque o ego precisa da presença do outro e eu me alimentava de vocês. E ainda me achando melhor que todo mundo.

Sim, passei grande parte da vida tão preocupada com vocês que chegava a gastar meu tempo tendo dó de vocês, tão adormecidos achando que o que aprendem na sala de aula ou adicionam ao acervo intelectual é tudo que importa. Eu odiava vocês. Achava vocês a ralé. É, sim. Ao entrar nessa onda de viver pra vocês, esperava automaticamente que vocês vivessem pra mim e é aí que mora a rainha da minha frustração. Em um castelo de gelo totalmente sozinha, ela esperneava quando não satisfazia vocês e, consequentemente, eu. E sabe, ser boa aos olhos de vocês não é uma atitude manipuladora ou de fingimento não consciente, pelo menos - é uma coisa automática que criei pra mim depois de tantos anos seguindo o rebanho, sendo a ovelha e repetindo o méééééé. A opinião de vocês era importante e determinante na minha vida. Era determinante porque antes de escrever algo que eu sentia, ou fazer algo que eu tenho vontade, observava em volta e pensava: qual será a reação das pessoas? Isso inclusive aumentou minha raiva e minha superioridade perante a vocês. Eu sou melhor, mas por que eu não consigo deixá-los de lado? Eu não estou falando da moça na esquina que pode estar me observando nas ruas. Estou falando da minha família, dos meus amigos e das pessoas com quem eu convivo. Minha irmã vive me dando pancadas na cabeça: por que você se preocupa tanto com a opinião dos outros, Luiza? Sentia raiva dela também por me ler tão bem e dizer em voz alta algo que eu nunca, nunca quis assumir pra mim. Eu não tô nem aí para os outros mas expulsa-los da minha vida e ignorar a sua existência, era exatamente o que me atraia para eles. É física.

Bem, as coisas mudam e comecei a reparar que tudo isso era uma grande jogada do meu ego. Uma jogada a que me apeguei em algum momento da minha vida e me serviu para construir os castelos de gelo, nos quais me via na torre, alta e poderosa, mas sem ninguém pra compartilhar e sem autoestima. Hoje não serve mais, quero construir redes. Tirando o ego do comando e o vendo separado de mim, percebi que, no fim, eu só queria me sentir igual, mas sem deixar de ser eu. Foi quando percebi que, ao chegar mais perto de mim, mais me sentia semelhante a vocês (e não mais diferente, como eu pensava). Foi quando eu passei a vê-los com compaixão e não com competição. Não tem mesmo essa de melhor ou pior, somos todos um só. Ao parar de me separar de vocês, me torno cada dia mais eu, mais nós. Não existe mais algo externo que afete ou abale a minha paz de espírito, pois estou sendo fiel à minha própria natureza. A minha paz de espírito não tem mais a ver com andar de acordo com vocês e sim andar de acordo comigo e é somente andando de acordo comigo que tenho paz e posso andar de acordo com vocês. Enxerga o círculo? Enxerga a conexão? Acolher vocês dentro de mim foi tão mais prazeroso do afastá-los! No lugar do ódio da incompreensão, eu coloquei a empatia. No lugar do ódio da inveja, eu coloquei a alegria pela felicidade alheia. Em suma, no lugar do ódio, eu coloquei o amor.  Passei  enxergar que, no fim, todos nós temos bagagens e todos nós estamos tentando ser felizes e aprender sobre a vida. Cada um no seu quadrado, lembrando que juntos somos um quadrado imenso e, quanto mais unidos pelas semelhanças (e temos muitas), mais podemos ajudar, mais podemos fazer, mais podemos ser. Quando eu fiz as pazes comigo, eu fiz as pazes com vocês também.


Os outros  © Luiza Della Nina - Roma (Italia) - Agosto de 2014

Um beijo cheio de amor a todos,


quinta-feira, 10 de julho de 2014

Amor romântico do século XXI - A busca

A maioria de nós vive na busca de um amor. Um grande amor. Uma grande recompensa para a dolorosa estrada que trilhamos até aqui. Fico meio boba ao perceber quantas pessoas desejam um par. Sites de relacionamentos amorosos estão aí para facilitar essa união. Eu não critico, se quer estar com alguém, tem que procurar mesmo de todas as formas que puder. Eu só acho que os motivos é que estão confusos. Eu procuro alguém para quê? Para me sentir amado? Para não me sentir sozinho? Para ter filhos? Para casar já que a maioria dos meus amigos já são casados? É uma busca complexa.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Um coração partido em duas partes

Eta semana braba!
Ele se foi. O segundo amor da minha vida foi se encontrar com o meu primeiro. Estranho pensar que meus filhos não conhecerão meu rei e minha rainha. Meus anjos. Mas ouvirão muitas histórias de amor, com certeza. Nessa semana passei a usar o corrimão, pra me equilibrar, me segurar. Não sei se o navio estava balançando ou se era a minha cabeça. Uma mistura muito doida de sentimentos que não resultam em uma boa sensação. É como misturar vinho com cerveja e finalizar com copo de vodka. A ressaca foi tremenda.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Filosofia de buteco

- Existe tanta sinceridade na fugacidade das coisas – disse o intenso.

- Como pode a ver sinceridade em algo tão efêmero? – questionou o político.

- Todos os aspectos da vida são efêmeros, até a própria vida. – disse o Bob.

- Eu já acredito que as pessoas se conectam além do físico. Energias, signos, químicas, relações espirituais... Para esses encontros, não se mede o tempo como nós conhecemos. – afirmou o espiritualizado.

- Signo? Você jura que acredita em signos? – indagou o descrente.


segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Em Paris, a beira do rio Sena...

Gostaria nesse momento de estar em Paris. Em um dia laranja de primavera com uma malha levinha, uma caneta na mão e uma máquina carregada. Gostaria de estar sentindo uma leve brisa. Nem tão gelada e nem tão quente mas com cheiro da chuva que está por vir. Gostaria de observar os reflexos do sol nas águas do rio Sena, onde os pingos fazem mini arco-íris por todo lado. Gostaria que fosse três horas da tarde e que eu tivesse uma eternidade, sem pressa, sem prazo, sem incomodo e sem barulho.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Quando penso em abraçar um amigo

Acabei de perceber que já fiz cinco vídeos desde 2006. Os cinco para os meus amigos. Quando dizem que a família é tudo, eu concordo plenamente. Só acho incompleto, amigo é tudo também. Eu olho a minha história e não sei dizer o que seria de mim sem meus amigos. Uma grande sorte, um grande aprendizado. Com cada um.

Quando penso em abraçar um amigo – vontade que siempre me dá – lembro de como é bom tê-lo por perto. É como se um coração trocasse uma ideia com o outro. É o Namastê em sua plenitude. É sempre bom, sempre renovador, sempre pôr-do-sol.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Anota aí.

A inquietação ao mesmo tempo que me incomoda, me desperta.
Me desperta pra lembrar que quem planta o bem, colhe o amor.
Pra entender que a vida te surpreende mesmo todos os dias....
....e é preciso força e coragem para dar conta do recado...

 Se a gente não desse conta do recado, o recado não seria dado.


Santos - 13 de setembro de 2013

terça-feira, 24 de setembro de 2013

A prima da Vera

A primavera já chegou? Nossa!!! Mas ontem mesmo era Carnaval.

Os dias passam devagar e os anos não. Assim como toda forma de vida, a flor se recolhe e “nos ensina a cair sem alardes” diz Manoel de Barros.


Caem, repousam e sonham. Tomam chuva e, em setembro, acordam. Despertam de si mesmas e se vestem de novas cores que a temporada traz.


segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Poderia ser uma história triste...

Fotografia.

Desde pequena.

Gostava de ver e rever.

Já perdi várias fotos em alguns resets involuntários da vida.

Como na Itália...

Sabe qual foi a primeira coisa que eu comprei quando cheguei em Torino?
Uma câmera digital. Compacta mesmo. E fiz muita foto. Aí descobri que tinha um chip de mais GB e comprei o de 8. Como não tinha computador, o chip funcionou como uma espécie de HD externo de fotos. Só que aí nos meus últimos dias lá, me roubaram o que eu tinha de mais importante, que ia além da matéria, de uma câmera, um Ipod e um caderno. Era minhas fotos, meu diário quase completo de 200 folhas e minhas músicas em um MP3 companheirasso.

Mas as fotos.... ahhhhhhh, doeu! Todos os meus registros italianos foram pro brejo... 

Depois, 4 anos mais tarde, meu HD do notebook pifou. Nunca mais recuperei. Tinha um livro começado, muitas muitas fotos.... 

De novo não! 

É... :(

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Porta giratória do CHAVES

Tô me sentindo em uma porta giratória (nunca me dei bem, passo rapidamente hahaha).

Olééééé!



Pagar a conta da luz no fim do túnel

Às vezes me sinto dirigindo em uma noite escura sem a luz da lua. Em uma via que não tem iluminação e nem olho de gato. Para completar, em um carro com os faróis quebrados. Ando devagarinho para não tropeçar ou atropelar as possíveis pedras pelo caminho que eu não enxergo. Mas aí me lembro que toda estrada, por mais sinuosa que seja, ela tem um fim. Assim como um túnel, a dor não dura para sempre.

Abril de 2013


Ps: O título foi criado pelo meu colega de Garden Groove Daniel Branco. Bem bolado! Valeu!

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Quase 18

Texto que fiz aos 18 anos sobre intercâmbios para um jornal de Palmas - TO.


Parece que foi ontem, finalmente iria viajar. Me preparei para aquilo que eu chamava de sonho, para a grande oportunidade da minha pequena grande vida. Eu ainda na sala de embarque não acreditava que estava a caminho da Europa, daquele mundo que chamamos de primeiro. Ali, eu sabia que podia crescer e evoluir em um tempo menor se eu estivesse no Brasil. E essa ideia de alcançar aquilo que se quer é a sensação mais maravilhosa do mundo, de primeiro mundo.

Seria lindo eu dizer que vivi coisas maravilhosas, que me deparei com pessoas que só me ajudaram e que no fundo vivi muito mais do que sonhei. Seria lindo dizer que naquele mundo, as ruas não têm buracos, nem lixo, nem mendigos. Mas a realidade é muito mais crua quando nos conhecemos um lugar novo e acabamos vendo que nada daquilo imaginado é real. Não digo que as ruas são muito emburacadas, mas existem sim buracos, e falando literalmente, muito mais fundos do que nas ruas perto da nossa casa.


segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Você nunca atravessará o oceano ao menos que tenha coragem de perder a costa de vista.

Vem! Tô te chamando!

Deixo ir o que não me faz bem.

Deixa eu ir para o que me faz.

Tô com seeeede!

Agora tira o Imagina...

...3,2,1 Ação!
Santos Setembro/2013 @luizadellanina




quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Tirando a roupa

Acredito fielmente que chegou a hora do mundo ver o que eu escrevo. Afinal, escrevo desde os oito anos de idade. Sou transparente e as palavras são reflexos da minha alma. Sempre tive medo de tirar a roupa e assumir a minha sensibilidade e profundidade.

Quem me deu forças para escancarar o que eu tenho aqui dentro foram os meus profetas como Dalai Lama, Hermógenes, Rubem Alves, Bob Marley, Clarice Lispector, Gabriel o Pensador, Fernando Pessoa, Renato Russo, Gandhi, Raul Seixas... e tantos outros. Pessoas que tiveram CORAGEM de colocar pra fora os diversos sentimentos profanos ou divinos. Traduziram os corações como uma espécie de mágica e não tiveram medo de más interpretações. Não esqueço que são todos humanos que habitam ou habitaram esse planeta com todos os seus percalços e complexidades. Assumiram a missão de gritar ao mundo aquilo é invisível aos olhos. Dividiram conosco as melodias e as letras sem saber de que forma tocariam nossas almas. Pedem licença, dão tapas na cara e esclarecem de maneira doce ou amarga aquilo que ninguém diz em voz alta mas todo mundo sente.  E confesso que a noite, quando as distâncias são maiores e outras menores, me conecto à eles ao ouvir uma boa música como Imagine e leio uma bela poesia de Alberto Caeiro. E me inspirando, escuto eles dizerem baixinho: vai Luiza, liberte-se. Despe a bata do juiz severo.

Estou largando...

Fazendo jus o que tenho tatuado na pele.

Acho que eternizei no ante-braço para não esquecer.

Agora.


Sem medo de estar nua, de parecer ridícula. Aqui é bem vinda a compreensão, a imersão na busca de si mesmo. Não sou expert em nada, não estudei sociologia, psicanálise, filosofia e nem sigo religiosamente uma religião. Sou errada, sou errante, sempre na estrada. Experimentando várias coisas, a fundo. Porque só assim que sei viver. Às vezes chego a algumas boas conclusões, às vezes não. Todas com a intensidade que me acompanha desde que nasci... tão fortes em mim que não cabem por isso coloco pra fora. Espero que lhes sirva para alguma coisa como serve pra mim também. 

A pista de decolagem está pronta.

Apertem os cintos.

Uma boa viagem à todos nós.



São Paulo - Setembro de 2013 por Raffaella Morello

Be kind.


Uma conversa com a fonte

 "Mergulho na paz" por meu grande mestre Hermógenes:

A primeira página de hoje: p. 143:

"Pretensão infantil me levou a filosofar com a fonte.
Desejei estimulá-la, e disse-lhe:
- Hoje, minha amiga, és humilde e ainda muito longe estás de tua imersão no Mar. Nada de impaciência. Tem fé e persistência. Algum dia chegarás ao Mar e herdarás sua grandeza.
E a fontezinha, do grotão, de voz de cristal gelado, falando bonito, me disse:
- Não vês? Eu estou vindo do Mar, embora pareça nascer do fundo da pedra. Já sou Mar. Nunca deixei de ser Mar."


Maromba - Visconde de Mauá - MG - Abril/2013

Vamos tentar todo dia um pouquinho.


Por Martin Borosson.

Boa inspiração para todos nós!


quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Relações Internacionais

Para quem não sabe sou formada em Relações Internacionais. 
O curso que eu fiz tinha até um sobrenome: Relações Internacionais com ênfase em Marketing Internacional e Negócios. 
Putz, a "minha cara"rs. 
Que escolha mais maluca eu fui fazer aos 18 anos. Mas tube bem, extraí o lado bom e tô ainda fazendo a limpeza nos ruins. No fim do curso já tinha percebido que não tinha nada a ver comigo.
Ainda mais quando meus colegas de classe me perguntavam porque nunca me viam em dinâmicas de emprego das grandes multinacionais e eu respondia: porque eu nunca fui. Imaginem só a cara de todos. Um tanto espantosa normalmente. Eles pareciam estar em uma maratona, onde mesmo cansados, estavam dispostos a serem os melhores alunos e estagiários do mundo. Também queria ser melhor em algo, mas até então não fazia ideia no quê. Meu foco na época, era tentar me encaixar, sabendo que era como estar na aula de natação dos tubarões enquanto eu ficava na janela, feito um beija flor, querendo cantar e voar. Aproveitava também para observar aquela macacada reunida em busca do ouro. Onde o ouro era um lugar reconhecido pela sociedade em um horário estabelecido das 9h às 18h na frente de um computador em um ar condicionado confortável até que se ataque a rinite, sinusite, ite. 

Pabx, Planilha de Excel, almoço em lugares lotados e barulhentos, hora do rush, sardinha no metrô ou sardinha na bolha do carro (Ufa, tem Candy Crush na minha vida)....
'Você fala inglês?'
'Yeah Sr.'
'Então faz uma xerox para mim de todos esses documentos'
'Errrrr.... sim, pingando suor.'
'Hello NiceToMeetYouWelcomeToTheJungle'
.....Teleconferências, Outlook, telefone que não para, reuniões....
'Faz um café?'
'Me trás uma solução plausível!'
Ufa, pode vir de jeans na sexta? 
Ainda bem que tem festa na sexta a noite!
Happy Our aeeeee, vou beber porque essa semana foi canseira.
Putz é a voz do faustão? Já é domingo? Nãããããão!


Enfim, nada, n-a-d-a disso tem a ver com o que eu quero para mim. Demorei para entender toda essa correria porque a maioria ao meu lado estava disposta a realizar tudo isso da melhor maneira possível para ter o melhor emprego, a melhor casa, a melhor vida. Viva a estabilidade! Ihuuuuuuuul E a saúde? E a vida? E os prazeres? "Ah mas se não ralar agora, não tem dinheiro na aposentadoria." Eu, que sempre fui Carpe Diem, pirava em ver colegas preocupados com os próximos 30 anos...

É claro que me preocupo, me questiono e me estresso. Mas existe uma voz dentro de mim que fala -cada dia mais alto - que se eu for feliz naquilo que eu faço com paixão, o retorno financeiro vai chegar. Tenho ótimos exemplos na minha vida e família de que quando realizamos algo que é da nossa medúla, da nossa essência + esforço e luta = tudo é possível. TUDO! Inclusive ganhar dinheiro. A grande diferença entre eu e os meus colegas de classe é que não estamos na mesma maratona, minha recompensa é outra. É um sossego. É o desapego material. É uma correria e tanto também... uma luta que não tem fim... e sim vários recomeços.

O tal pódio é poder acordar com o sol, abrir a janela e agradecer a vida. Molhar os pés no mar, ou rio logo de manhãzinha. Tomar um café em um lugar bem arejado com um horizonte inspirador. Essa inspiração vai servir para o meu trabalho. Agitado, ativo, dinâmico mas sem hora para acordar. Mas com uma grande satisfação em acordar cedinho para aproveitar o dia e a vida.

E mesmo que "digam que falem que pensam..." esse embarque tem tudo a ver com a minha graduação porque afinal o que não me falta nessa vida é vontade de ter Relações Internacionais. Só que dessa vez com ênfase na paz, alegria e evolução.