Acabei de entrar em um quarto escuro. Me
trancaram ou eu tranquei a porta mas não tenho mais a chave. Que porra estou
fazendo aqui? Bato na porta com força pra ver se alguém me escuta. Grito alto
fogo, ladrão, SOS e nada. Agora é tarde demais, responde alguma coisa na minha
cabeça. Olho de fianco pra trás e só vejo um grande bloco negro. Tremo com a
possibilidade de ver coisas assustadoras (sempre fui sensível a filmes de
terror e mesmo assim gostava) ou da escuridão me engolir. Não quero lidar com
isso, alguém pode abrir a porta logo?
Com as minhas mãos e garganta cansadas, me
rendo. Paro de bater porque sinto que vai ser em vão. Não tenho coragem de
olhar pra frente então me agacho e olho pra baixo. Sinto frio, me encolho.
Finjo não estar ali. Fico mergulhada na fixação de não querer viver aquela
realidade e sofro. Muitas lágrimas saem de mim involuntariamente. Olho pro
preto e sinto algo que me parece claustrofobia.
A
resistência e o desejo de estar ali é exatamente o que me mantêm parada. É pura
física. Duas forças iguais, uma contra a outra resultam na imobilidade. Não é
possível me mexer e na real, eu nem quero me mover. Me tirem já daqui! É uma
ordem! Não tenho nada para me distrair. Sem movimento, sem ninguém, sem anestesias, sem distrações, sem nadica. Choro muito. Litros. Como se não houvesse amanhã e o hoje. Choro sem saber porque algo dentro de mim grita e me toma espaço.
Depois de molhar os cabelos compridos e acabar
com a água do meu corpo, começo a ficar com sede. Sair dali se torna fisiológico.
É questão de morte e vida. Paralisada, amedrontada me forço a caminhar pra
frente. “Pense no melhor que pode acontecer, não no pior.” Me animo, vejo
esperança e criatividade no meio da preguiça e da escuridão. Percebo que o
esforço para me manter parada é o mesmo de me manter em movimento. A diferença que
notei é que só a movimentação traz resultados. Vai, encara, você é forte, se
joga. Um mantra velho para ocasiões difíceis. E vou. Tropeço, me engano, me
saboto, tenho vontade de voltar... até a hora que percebo um bolso na minha
calça e dentro do bolso, um isqueiro. Acendo
e a escuridão fica menor. Respiro mais lentamente, tiro fora a ansiedade do
preto total. Reconheço meus pés, minhas mangas arregaçadas e meu suor. Tropeço
em uma lanterna. Será sorte, milagre ou recompensa? Ah que se dane, você tem
uma lanterna! Sorrio. Com a luz nas mãos, vejo o quanto sou eu que guio o meu
caminho. Quero mais luz então encontro um abajur e ascendo.
| A porta da minha consciência - São Paulo Setembro/2012 © Luiza Della Nina |
Sempre me complementa e alimenta! Obrigada por existir e sermos amigas!
ResponderExcluir