Venho
aqui ser honesta, sem máscaras e palavras bonitas. Só vou dizer o que penso. Antes me
preocupava muito com vocês. O que podem falar sobre mim ou pensar de mim. Criei uma
doideira na cabeça que se os gregos
e os troianos me quererem bem é o (único) modo de me sentir amada e poderosa. Tanto que, diante das briguinhas na escola, eu sempre reparava em quem não me queria bem e não em quem estava do meu lado.
Por trás da tentativa de ser visível e querida, estava o meu ego
inflado, porque o ego precisa da presença do outro e eu me alimentava de vocês. E ainda me achando melhor que todo mundo.
Sim,
passei grande parte da vida tão preocupada com vocês que chegava a gastar meu tempo tendo dó de vocês, tão adormecidos achando que o que
aprendem na sala de aula ou adicionam ao acervo intelectual é tudo que importa. Eu odiava vocês. Achava vocês a ralé. É, sim. Ao entrar nessa onda de viver pra vocês, esperava automaticamente que vocês vivessem pra mim e é aí que mora a rainha da minha
frustração. Em um castelo de gelo totalmente sozinha, ela esperneava quando não satisfazia vocês e, consequentemente, eu. E sabe, ser boa aos olhos
de vocês não é uma atitude manipuladora ou de fingimento – não consciente, pelo menos - é uma coisa automática que criei pra mim depois de tantos anos seguindo
o rebanho, sendo a ovelha e repetindo o méééééé. A opinião de vocês era
importante e determinante na minha vida. Era
determinante porque antes de escrever algo
que eu sentia, ou fazer algo que eu tenho vontade, observava em volta e pensava: qual será a reação das pessoas? Isso inclusive
aumentou minha raiva e minha superioridade perante a vocês. Eu sou melhor, mas por que eu não consigo deixá-los de lado? Eu não estou falando da moça na esquina que pode estar me
observando nas ruas. Estou falando da minha família, dos meus amigos e das pessoas com quem eu convivo.
Minha irmã vive me dando pancadas na cabeça: por que você se preocupa tanto com a opinião dos outros, Luiza? Sentia raiva dela também por me ler tão bem e dizer em voz alta algo
que eu nunca, nunca quis assumir pra mim. “Eu não tô nem aí para os outros” mas expulsa-los da minha vida
e ignorar a sua existência, era exatamente o que me atraia para eles. É física.
Bem,
as coisas mudam e comecei a reparar que tudo isso era uma grande jogada do meu
ego. Uma jogada a que me apeguei em algum momento da minha vida e me
serviu para construir os castelos de gelo, nos quais me via na torre, alta e poderosa, mas sem ninguém pra compartilhar e sem autoestima. Hoje não serve mais, quero construir redes. Tirando o ego do comando
e o vendo separado de mim, percebi que, no fim, eu só queria me sentir igual, mas sem deixar de ser eu. Foi quando percebi que, ao chegar mais perto de mim, mais me sentia semelhante a vocês (e não mais diferente, como eu pensava). Foi quando
eu passei a vê-los com compaixão e não com competição. Não tem mesmo essa de melhor ou pior, somos todos um só. Ao parar de me separar de vocês, me torno cada dia mais eu, mais nós. Não existe mais algo externo que
afete ou abale a minha paz de espírito, pois estou sendo fiel à minha própria natureza. A minha paz de espírito não tem mais a ver com andar de
acordo com vocês e sim andar de acordo comigo e é somente andando de acordo
comigo que tenho paz e posso andar de acordo com vocês. Enxerga o círculo? Enxerga a conexão? Acolher vocês dentro de mim foi tão mais prazeroso do afastá-los! No lugar do ódio da incompreensão, eu coloquei a empatia. No
lugar do ódio da inveja, eu coloquei a alegria pela felicidade alheia.
Em suma, no lugar do ódio, eu coloquei o amor.
Passei enxergar que, no fim, todos nós temos bagagens e todos nós estamos tentando ser felizes
e aprender sobre a vida. Cada um no seu quadrado, lembrando que juntos somos um quadrado imenso e, quanto mais unidos pelas semelhanças (e temos muitas), mais podemos ajudar, mais podemos fazer, mais podemos ser.
Quando eu fiz as pazes comigo, eu fiz as pazes com vocês também.
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| Os outros © Luiza Della Nina - Roma (Italia) - Agosto de 2014 |
Um
beijo cheio de amor a todos,

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